O cinema segundo Charles Chaplin

Charles Chaplin (1889-1977) foi uma espécie de multimídia do cinema mudo. Ator, diretor, produtor, roteirista, músico… atuava atrás e diante das câmeras com o incompreensível talento dos gênios. Em 1914, criou o mais famoso personagem da história do cinema: o vagabundo Carlitos, eternizado em clássicos como O garoto (1921), Em busca do ouro (1925), O circo (1928), Luzes da cidade (1931) e Tempos modernos (1936). A seguir, algumas de suas reflexões sobre o cinema. 

“Prefiro ver um homem sorver sua xícara de chá com uma colher do que ver a erupção de um vulcão. Quero que minha câmera seja como o proscênio de um teatro, que venha para perto do ator, que não perca o seu contorno, que traga o público para ele. A economia de ação permeia todo o meu trabalho. As pessoas têm uma ideia de que o cinema deve ser elaborado, grande, espetacular, de alguma maneira talvez correta, mas eu prefiro intensificar a personalidade em vez de apresentar grandes gargantas sinuosas em uma tela enorme. Prefiro a sombra de um trem passando por um rosto a toda a estação de trem…”

“A verdade é que a posição da minha câmera visa facilitar a coreografia dos movimentos dos atores. Quando uma câmera é posta no chão ou se movimenta perto das narinas do ator, é a câmera que atua e não o ator. A câmera não deve atrapalhar, só isso. Então o movimento se torna um pensamento livre.”

“Antigamente o público imaginava. Acho que ninguém foi tão famoso quanto Mary Pickford, a namoradinha da América. Muita coisa ficava na imaginação. Havia sombras e poesia inerentes àquelas pessoas. Elas não eram reais e viviam no reino da poesia e dos contos de fadas. Nunca viveram na realidade, aquelas figuras grandiosas e ilustres não existiam na vida real, eram algo a mais.”

O nascimento de Carlitos.

Charlie Chaplin criou seu personagem imortal logo no segundo curta-metragem produzido ao lado do diretor Mark Sennett. Corrida de automóveis para meninos (1914)  foi filmado em 45 minutos, as filmagens foram improvisadas, aproveitando um evento que acontecia na praia de Venice, na Califórnia. Enquanto os carros passam pelo percurso, o ator interage com a câmera, como se fosse um invasor, não só da corrida, mas também das filmagens. A improvisação também marcou a caracterização do personagem. Charlie Chaplin relata sua primeira aparição no set travestido do vagabundo, após Sennett pedir ao ator que se vestisse de forma engraçada.

“Pensei que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos enormes, além de uma bengala e um chapéu coco. Queria que tudo fosse contraditório: as calças folgadas, o paletó apertado, o chapéu pequeno e os sapatos enormes. Não sabia se deveria parecer velho ou jovem, mas quando me lembrei que Sennett tinha pensado que eu era bem mais velho, coloquei um bigodinho que me daria alguns anos sem esconder a minha expressão”. – Referência; Os Grandes Filmes de Chaplin. Editora Altaya.

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