Réquiem para Sra. J

O filme abre com Jelena (Mirjana Karanovic) preparando cuidadosamente a arma que pertenceu ao seu marido. É segunda-feira, com esse gesto anuncia-se a decisão da Sra. J: na sexta-feira, aniversário da morte do marido, ela se matará. 

A narrativa é dividida em espécies de capítulos, seguindo os dias da semana. Jelena está desempregada, sua família desestruturada, o peso do sustento econômico recai sobre a filha mais velha que não suporta mais tal obrigação. O diretor Bojan Vuletic é mais um cineasta europeu a se debruçar com sensibilidade sobre a crise trabalhista na Europa e suas consequências na vida das pessoas e na família. Dessa leva recente, vale citar Dois dias uma noite (2014), O valor de um homem (2015), Eu, Daniel Blake (2016), Colo (2017), Você não estava aqui (2018).

A narrativa alterna momentos de bom humor, destaque para o conselho oferecido a Jelena por um vendedor de armas e as propostas do agente funerário, com momentos depressivos e tensos. resultados da desintegração familiar, das burocracias do estado em relação à assistência de seus cidadãos, da tragédia anunciada ao espectador pela protagonista. Jelena acompanha e assiste a esses momentos com a serenidade silenciosa de quem já tomou sua decisão. Os longos planos em sua caminhada pela cidade, os planos estáticos em sua resignação dentro de casa, ajudam a entender o tratamento sensível tanto em termos de narrativa quanto em propostas audiovisuais deste filme terno. 

Réquiem para Sra. J (Rekviem Za Gospodja J., Sérvia, 2017), de Bojan Vuletic, com Mirjana Karanovic, Jovana Gabrilovich, Danica Nedeljkovic.

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