O raio verde

Delphine está a duas semanas de suas férias de verão e não consegue decidir o destino da viagem. Acabou de romper com o namorado, a amiga com quem tinha combinado as férias desistiu da viagem. Delphine então, indecisa, empreende uma série de estadias curtas, entre o campo, as montanhas e as praias. 

O raio verde faz parte da série Comédias e Provérbios de Éric Rohmer, anunciado logo no início da narrativa: “Que chegue o tempo quando os corações estão apaixonados.” – Rimbaud. A peregrinação de Delphine coloca em tema a solidão, a dificuldade de se adaptar a novos relacionamentos, a necessidade de conhecer e, ao mesmo tempo, o receio de se entregar a esse conhecer, com todo o despojamento que isso exige. 

O título do filme remete ao último raio de sol poente, quando um possível raio verde toma conta dos corações. Delphine descobre sobre isso ao ouvir, casualmente, um grupo de intelectuais conversando sobre o livro que Júlio Verne escreveu sobre o fenômeno. O final do filme, bem, é desses finais que evocam a magia do olhar, assim como o cinema de Rohmer, repleto de descobertas.  

O raio verde(Le rayon vert, França, 1986), de Éric Rohmer. Com Marie Rivère (Delphine), María Luisa Garcia (Manuella), Vincent Gauthier (Jacques).

A mulher do aviador

É o primeiro filme da série Comédias e Provérbios, de Éric Rohmer. “É impossível parar de pensar” serve como preâmbulo para a divertida narrativa com um toque detetivesco. François resolve seguir por um dia um aviador, que foi ou é amante de sua namorada.  Ele está com outra mulher, cuja identidade é desconhecida e, na cabeça de François, poderia provar a infidelidade do aviador. A adolescente Lucie cruza o caminho de François e se junta por acaso, fascinada pela aventura, à perseguição do possível casal de amantes.

Grande parte do filme decorre durante este dia, cujo ponto de vista define muito do que sentimos quando nos deparamos a observar, de longe, as pessoas com quem cruzamos. À medida que observam o casal à distância, François e Lucie se revelam um para o outro, trocando diálogos banais, às vezes reflexivos, outros agressivos, sempre com esse agradável tom de quem acaba de se conhecer. Descobrem muito pouco do casal que observam, mas muito de si mesmos. Quando termina a investigação, cada um volta para sua própria vida, deixando no ar aquela sensação de algo mais que permeia a imaginação.

A mulher do aviador (La femme de l’aviateur, França, 1981), de Éric Rohmer. Com Philippe Marlaud (François), Marie Rivière (Anne), Anne-Laure Meury (Lucie), Mathieu Carrière (Christian).  

Máfia em Paris

A trama se passa em um hotel de luxo. O inspetor Neveu está no quarto de seu tio, junto com a jovem Arielle.  Anos atrás, um assassinato ocorreu nesse mesmo hotel. O Tio era segurança e não conseguiu desvendar o caso, por isso mora ali, em busca de respostas para o crime. Paralela a essa história, uma anunciada luta de boxe esconde as engrenagens subterrâneas desse mundo dominado pela máfia. 

O título original, Détective, anuncia de forma enganosa a pretensão de Godard em mais uma trama repleta de seus experimentos linguísticos. Na verdade, pouco se investiga no filme, é mais uma catarse do diretor, despejando durante a narrativa fragmentos de imagens: cenas feitas em vídeo, citações a filmes e livros, colagens de diversas mídias… 

“Se Godard ameaça fazer um filme de detetive, é importante que saibamos desde o início: será um filme de Godard, antes de qualquer outra coisa. Ou seja: mais um enigma. Um enigma que nasce das duas camadas com que Godard costuma trabalhar em seus filmes, digamos, convencionais: o fiapo da história e as ligações externas. E se o espectador viciado em entendimentos procurar explicações para tudo, sua experiência ficará prejudicada.” – Sérgio Alpendre. 

Máfia em Paris (Détective, França, 1985), de Jean-Luc Godard. Com Laurent Terzieff (William Prospero), Aurelle Doazan (Arielle), Jean-Pierre Léaud (Inspetor Neveu), Claude Brasseur (Emile Chenal), Johnny Hallyday (Jim Fox), Alain Cuny (Mafioso).

 Referência: Godard inteiro ou o mundo em pedaços. Eugênio Puppo e Mateus Araújo (organização). Catálogo produzido pela Fundação Clóvis Salgado para a retrospectiva Jean-Luc Godard, exibida na Sala Humberto Mauro.

O último metrô

Em A noite americana (1973), François Truffaut volta suas lentes para os bastidores de uma produção cinematográfica. O próprio Truffaut interpreta um cineasta durante as filmagens de uma obra nos EUA, explorando o complexo processo criativo e técnico da produção. 

A trama de O último metrô explora processo semelhante, desta vez sobre o teatro.  Marion Steiner dirige o teatro de seu marido, judeu obrigado a se esconder da ocupação nazista na França. Grande parte do filme se concentra nos ensaios da peça “A desaparecida”, a trupe de atores, atrizes e diretor tentando continuar seu trabalho, a busca pela arte, mesmo durante a Segunda Grande Guerra. Fora do teatro, os protagonistas da peça vivem conflitos com os nazistas. O filho de uma integrante da equipe está desaparecido; o ator Bernard Granger luta pela  resistência; Marion tenta se equilibrar entre salvar o teatro ou se render às investidas dos colaboradores do regime. 

A película é um primor estético, com deslumbrante reconstituição de época e fotografia feita sob medida para destacar a beleza dos protagonistas, principalmente Catherine Deneuve (cada plano, cada close, deixa o espectador em uma espécie de absoluto fascínio por Deneuve, como na mais pura abstração da beleza). 

“Quando O último metrô estreou na França, em 1980, não faltaram acusações de que Truffaut havia se rendido e feito um filme que correspondia ao cinema de qualidade que ele próprio, três décadas antes, desqualificara em um artigo demolidor. (…) A combinação de filme histórico, requinte fotográfico e cenográfico e um par de estrelas como protagonistas sugere um filme prêt-à-porter, formatado para recuperar a afeição do público que Truffaut, naquele momento, parecia ter perdido após os fracassos de O quarto verde e o A amor em fuga.” – Cássio Starling Carlos.  

Apesar das críticas, o filme se consagrou nas bilheterias, foi indicado como melhor filme estrangeiro ao Oscar e ao Globo de Ouro e conquistou dez prêmios César, na França: melhor filme, diretor, ator, atriz, roteiro, música, fotografia, direção de arte, montagem e som.

O último metrô (Le dernier metro, França, 1980), de François Truffaut. Com Catherine Deneuve (Marion Steiner), Gérard Depardieu (Bernard Granger), Jean Poiret (Jean-Loup Cottins), Heinz Bennent (Lucas Steiner), Andréa Ferréol (Arlette Gulaume), Sabine Haudepin (Nadine Marsac), Jean-Louis Richard (Daxiat).

Referência: François Truffaut. O último metrô. Coleção Folha Grandes Diretores no Cinema. Cássio Starling Carlos e Pedro Maciel Guimarães. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2018

A mansão do inferno

O italiano Dario Argento é um dos responsáveis por definir o gênero terror a partir dos anos 70. Os diretores ainda não tinham a tecnologia digital para criar com perfeição monstros, vampiros, lobisomens e tudo mais que assombra o espectador. Contavam com velhos truques do cinema, principalmente a interação assustadora entre personagens e cenários.

A estrutura de A mansão do inferno (1980) apresenta clichês da narrativa de terror. Em uma noite, Rose Elliot (Irene Miracle) se fascina com a leitura de As três mães, livro escrito por um arquiteto e alquimista. O autor projetou três casas que serviram de morada às três mães do título, na verdade, as encarnações do mal: Mater Suspiriorum, Mater Tenebrarum e Mater Lacrimarum. O filme é sequência de Suspiria (1977) e centra a história em Mater Tenebrarum. A terceira parte, que traria Mater Lacrimarum, nunca foi realizada.

A mansão projetada pelo alquimista em Nova York é o cenário para Argento explorar as demais premissas do gênero. Grande parte da ação se passa em uma noite de tempestade, com janelas se quebrando e cortinas esvoaçando. Os relâmpagos deixam vislumbrar sombras por trás das janelas. As primeiras vítimas são belas mulheres, a sensualidade evidenciada por roupas molhadas, coladas no corpo. A cor dominante do filme é o vermelho, espalhado pelos ambientes. Dario Argento trabalha ainda com requisitos básicos de sua filmografia de terror, como gatos e ratos projetados como feras assassinas, closes em garras e dentes.

A história, como em tantos filmes do gênero, não importa muito. É apenas pretexto para o diretor explorar seus assustadores truques. E, nisto, Dario Argento é mestre.

A mansão do inferno (Inferno, Itália, 1980), de Dario Argento.

Anjos do arrabalde – As professoras

O subtítulo do filme define o tema: três professoras de uma escola de periferia paulista enfrentam o cotidiano do bairro marcado pela delinquência, o tráfico de drogas e a consequente violência. Carmo está afastada da escola, “forçada” pelo marido a abandonar o trabalho para cuidar dos filhos e da casa, mas mantém laços com as amigas Dália e Rosa. A liberal Dália, que tem fama de lésbica na escola, enfrenta tudo com altivez, aconselhando as amigas. Rosa vive em perigoso conflito psicológico, motivado pelas suas frustrações com o trabalho e pelo caso que vive com Soares, um homem casado.

O ponto de vista feminino de Carlos Reichenbach explora a luta das mulheres contra a submissão, contra a violência, mesmo que seja através da violência (a violentada Aninha retruca a facada e tiros os abusos que sofreu). Dália é a grande personagem do filme, representa, no final da década de 80, a emancipação, mulher que se entrega e ajuda as pessoas sem se preocupar com opiniões à sua volta. Os personagens masculinos deixam acirrar o machismo, o preconceito, a violência psicológica e física. 

Anjos do arrabalde – As professoras (Brasil, 1987), de Carlos Reichenbach. Com Betty Faria (Dália), Irene Stefânia (Carmo), Clarisse Abujamra (Rosa), Vanessa Alves (Aninha), José de Abreu (Soares).

Não amarás

A cena de Magda vendo e se emocionando com sua própria solidão através da luneta de Tomek é das mais poéticas do cinema. Tomek é um jovem de 19 anos que todas as noites espiona Magda, vizinha mais velha e solitária que vive de relacionamentos frugais. Após Tomek se denunciar, uma estranha relação permeia os dois, marcada pela dificuldade de comunicação e impossibilidade física. Quando descobre a paixão de Tomek, Magda provoca o jovem e acaba revelando sua incapacidade de amar. Tomek, por sua vez, sofre silenciosamente, como todo voyeur, tentando, à distância penetrar no âmago de seu objeto de desejo.

“Magda possui uma vida independente, além do que o rapaz pode espionar. Parte do apartamento dela não é visível pela luneta e o som direto não alcança a janela dele (para conhecer a voz dela, por exemplo, é preciso recorrer ao telefone). Em dado momento, Magda chega em casa e começa a chorar. Ela senta-se à mesa da cozinha, de costas para a janela (que é a câmera subjetiva de Tomek), ocultando ao voyer o rosto. Na tentativa de compreender o que não pode ver, Tomek pergunta para a senhora que o hospeda o porquê de as pessoas chorarem. Magda absolutamente não lhe é transparente. A Magda que o espectador constrói é uma personagem criada por Tomek, mas que possui uma vida autônoma, escapando-lhe ao controle. Ele pode apreender-lhe a imagem, mas não lhe é possível conhecer suas motivações mais internas – isso ele só pode deduzir a partir da sua própria experiência, do que viu e do que acredita saber sobre as pessoas, sobre a vida, sobre o mundo. A narrativa estimula também a subjetividade do espectador que procura atualizar tanto os dados que lhe foram narrados quanto seu inventário imagético-cinematográfico e seu repertório cultural.” – Erika Savernini.

Referência: Índices de um cinema de poesia. Pier Paolo Pasolini, Luis Buñuel e Krzysztof Kieslowski. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004

Não amarás (Thou shalt not commit adultery, Polônia, 1988), de Krzysztof Kieślowski. Com Olaf Lubaszenko (Tomek), Grażyna Szapołowska (Magda), Stefania Iwinska (senhora que hospeda Tomek).

Não matarás

O filme tem uma das sequências mais impressionantes de morte da história do cinema. Jacek tenta estrangular o taxista, que insiste em não morrer, fazendo com que o assassino seja mais e mais violento. No início da película, o jovem Jacek caminha pelas ruas da cidade. Montagem alternada coloca em cena um taxista que despreza seus clientes e Piotr, um advogado em sua prova final, respondendo questões para a banca formada por outros advogados. O caminho dos três se cruza em uma lanchonete e, na saída, Jacek entra no táxi. Após o assassinato, corte brusco mostra a condenação do jovem, cujo defensor é Piotr.

Não matarás é o capítulo 5 da série Decálogo e, assim como Não amarás, foi adaptado para o cinema. A narrativa apresenta um protesto contra a pena de morte. Mesmo diante do ato cruel, inexplicavelmente gratuito de Jacek, Piotr mantém sua convicção contra a pena capital.

“O discurso que Kieslowski coloca na boca da personagem é o seu próprio julgamento da questão. A história de um assassinato e da punição deste criminoso torna-se um questionamento sobre a sociedade, na forma da pena capital. Dois assassinatos são cometidos, igualmente brutais. Um individual e outro coletivo. Significativamente, as duas mortes são similares. Jacek estrangula o taxista e é enforcado. Também narrativamente essas sequências são tratadas de forma análoga: acompanham-se os preparativos e seus detalhes. Assim como se vê Jacek escolher uma vítima e preparar o ataque, se vê o carrasco preparar cuidadosamente o local de execução. São dois ‘crimes’ premeditados, com o diferencial único de que o crime coletivo cometido contra Jacek é considerado preciso e justo.” – Erika Savernini.

Não matarás (Thou shall not kill, Polônia,1988), de Krzysztof Kieślowski. Com Miroslaw Baka (Jacek), Krzysztof Globisz (Piotr), Jan Tesarz (taxista).

Referência: Índices de um cinema de poesia. Pier Paolo Pasolini, Luis Buñuel e Krzysztof Kieślowski. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004

Os vivos e os mortos

Passo boa parte dos meus dias entre o cinema e a literatura. Em alguns momentos de beleza, livros e filmes se encontram numa mesma obra. John Huston dirigiu  Os Vivos e os Mortos (The Dead, EUA/ING/ALE, 1987) na cadeira de rodas, respirando com a ajuda de balões de oxigênio. Foi seu último filme, a despedida de uma carreira dedicada à sensibilidade e à ternura traduzidas em cinema.

Adaptação do conto Os Mortos, de James Joyce, o filme narra o encontro de uma família numa noite de festa. É inverno e a neve castiga o tempo e o coração dos personagens. Aos poucos, desejos, amores e segredos vão se revelando. Anjelica Huston (filha do diretor) e Donal McCann formam um casal de meia-idade que vai se defrontar nesta noite com um segredo do passado.

Não sei dizer o que é mais bonito, a cena do monólogo interior de Donal McCann olhando para a mulher adormecida e a neve caindo lá fora ou a última página do livro de James Joyce. É o encontro entre cinema e literatura. Mais do que isso, o encontro entre James Joyce e John Huston.

“Leves batidas na vidraça fizeram-no voltar-se para a janela. A neve tornava a cair. Olhou sonolento os flocos prateados e negros, que despencavam obliquamente contra a luz do lampião. Era tempo de preparar a viagem para o oeste. Sim, os jornais estavam certos: a neve cobria toda a Irlanda. Caía em todas as partes da sombria planície central, nas montanhas sem árvores, tombando mansa sobre o Bog of Allen e, mais para o oeste, nas ondas escuras do cemitério abandonado onde jazia Michael Furey. Amontoava-se nas cruzes tortas e nas lápides, nas hastes do pequeno portão, nos espinhos estéreis. Sua alma desmaiava lentamente, enquanto ele ouvia a neve cair suave através do universo, cair brandamente – como se lhes descesse a hora final – sobre todos os vivos e todos os mortos.”

Fala Greta Garbo

Na primeira sequência do filme, Estelle Rolfe (Anne Bancroft) está deitada em sua cama, vendo A dama das Camélias. Estelle repete cada frase da atriz Greta Garbo, enquanto enxuga as lágrimas que caem sem parar. O filme acaba, Estelle desliga a TV e dorme.

Greta Garbo (1905/1990) abandonou a carreira aos 36 anos de idade, em 1941, e passou a viver reclusa em seu apartamento em Nova York. A atriz não recebia jornalistas ou qualquer pessoa fora do seu círculo particular de relacionamento. Os biógrafos que se debruçaram sobre a sua carreira especulam que os motivos do retiro da atriz estavam entre depressão devido aos conflitos mundiais, insegurança sobre o próprio talento como intérprete, falta de preparo psicológico para lidar com o estrelato.

Em Fala Greta Garbo (1984) Sidney Lumet retrata com respeito e admiração a figura lendária da atriz. Estelle Rolfe é apaixonada pela vida, não mede palavras e atos para defender seus ideais e pontos de vista. A luta por seus direitos leva Estelle, vez por outra, para a prisão. O contraponto de sua personalidade é seu filho Ron Silver (Gilbert Rolfe). Pacato contador, passa os dias entre a casa, o trabalho e seu casamento monótono.

A vida de mãe e filho muda com uma trágica notícia: com tumor no cérebro, Estelle tem poucos meses de vida. Ao receber a notícia, ela reage com seu humor perspicaz. “Todo mundo morre, mas pensei que eu seria a exceção.” “Não estou triste, nem com medo, apenas furiosa.” Após ser internada, Estelle faz uma espécie de último desejo (avisando que não é o último, apenas não tem tempo para satisfazer todos): conhecer Greta Garbo.

Ron usa de todas as artimanhas para encontrar e tentar falar com a misteriosa Garbo. Sua peregrinação é marcada por encontros que levam o filme para uma deliciosa comédia, pontuada pelos tipos incomuns, de bem com a vida, que compõem o cenário de Nova York. À medida que se aproxima de Greta Garbo, Ron passa por uma transformação sutil que o transforma cada vez mais em um homem encantado com as pequenas coisas do dia-a-dia. Fascinado, ele acaba fascinando as pessoas ao seu redor.

Ao final do filme, impossível evitar uma lágrima e um sorriso. Estes dois sentimentos que definem o cinema que Greta Garbo ajudou a eternizar.

Fala Greta Garbo (Garbo talks, EUA, 1984), de Sidney Lumet. Com Anne Bancroft (Estelle Rolfe), Ron Silver (Gilbert Rolfe), Carrie Fisher (Lisa Rolfe), Catherine Hicks (Jane Mortimer).