A sorridente Madame Beudet

Madame Beudet está enclausurada em um casamento monótono, representação da sociedade que relega a mulher ao papel de dona de casa amorosa, cuja obrigação é sentir-se feliz diante da vida confortável proporcionada pelo casamento. Cada vez mais triste e deprimida, Madame Beudet enseja sua única possibilidade de libertação: a morte do marido.

A diretora Germaine Dulac fez parte do círculo de cineastas experimentais da última década do cinema mudo, reunidos em torno do movimento denominado impressionismo francês. Seus filme buscavam ao mesmo tempo a poesia das imagens e a representação da opressão feminina, sendo por isso considerada uma das primeiras autoras do cinema feminista.

“O elemento mais cativante de A sorridente Madame Beudet é composto pelas elaboradas sequências de sonho em que a dona de casa do título (Germaine Dermoz) fantasia uma vida fora dos limites da sua existência monótona. Usando efeitos especiais radicais e técnicas de montagem, Dulac incorpora alguns dos elementos estéticos de vanguarda da época para contrastar o poder feminino rico e vigoroso da vida imaginária de madame Beudet com o tédio da rotina compartilhada com seu marido (Alexandre Arquillière).” 

A sorridente Madame Beudet (La souriante Madame Beudet, França, 1923), de Germaine Dulac. Com Germaine Dermoz, Alexandre Arquillère, Jean D’yd.

O cigarro

Pierre Guérande, diretor de um museu em Paris, está envolvido em uma pesquisa sobre  faraó egipcio que cometeu suícidio. Ele é casado com uma mulher muitos anos mais nova e começa a desconfiar que está sendo traído. Pierre não julga a esposa, pois reflete que é natural, devido a diferença de idade, mas resolve experimentar a mesma técnica de suicidio do faraó: Pierre introduz veneno em um cigarro e o mistura com outros dentro de seu estojo. Dessa forma, não sabe que dia vai morrer. 

Germaine Dulac faz um fascinante estudo sobre relações amorosas, desilusões, frustrações à medida que o tempo passa, inserindo nessas questões um tema sempre tabu na sociedade: o suicídio. Filme reflexivo e sensível, marca da grande Germaine Dulac e do movimento ao qual fez parte, o impressionismo francês.

O cigarro (La cigarette, França, 1919), de Germaine Dulac. Com Gabriel Signoret, Andrée Brabant, Jules Raucourt.