
O bruto (El bruto, México, 1953), de Luis Buñuel.
Pedro – O Bruto (Pedro Armendáriz) é um simplório e ingênuo trabalhador de um matadouro na Cidade do México. Devido a seu porte físico avantajado, o velho Andrés Cabrera (Andrés Soler) seu antigo patrão (e possivelmente pai, pois a mãe de Pedro era empregada doméstica da residência), o contrata para intimidar familiares que moram em um conjunto habitacional de baixa renda. Andrés é dono do terreno e deseja vendê-lo para um empreendimento imobiliário, mas os moradores resistem em deixar o local.
Luis Buñuel se rendeu ao cinema comercial em um primeiro momento de sua fase mexicana. O próprio diretor disse que O bruto estava entre esses filmes feitos sob encomenda. A obra segue os princípios neorrealistas, com forte crítica social aos empresários e donos de imóveis que tratam os seus inquilinos pobres como mercadoria descartável. O tom melodramático do filme se evidencia quando Pedro golpeia e mata um dos inquilinos e, depois, se apaixona e é correspondido por Meche (Rosita Arenas) , filha de sua vítima.
Outra marca de Buñuel presente na narrativa é a obsessão sexual. Paloma (Katy Jurado), jovem esposa de Andrés, desenvolve uma paixão física arrebatadora por Pedro e desencadea um triângulo amoroso com consequências trágicas. O anti-herói Pedro, corroído pelo remorso e pelo amor a Meche, é o grande personagem do filme, uma mescla de personalidade ingênua, bondosa e agressiva, que não consegue conter seus instintos.