Não sou eu

Não sou eu (C’est pas moi, França, 2024), de Leos Carax. 

O Museu Pompidou, em Paris, sugeriu a Leos Carax responder à questão: “Onde você está, Carax?” A ideia do museu era promover uma exposição que acabou não acontecendo. No entanto, Carax aceitou o desafio e realizou um filme composto de fragmentos de imagens.

A auto reflexão de Carax inclui cenas de seus próprios filmes, acompanhadas de questionamentos sobre sua posição como artista, sobre o futuro do cinema e da própria humanidade, sobre o acúmulo irrefreável de imagens que tomam conta de nosso cérebro – seria a morte do cinema? O ensaio visual utiliza ainda fragmentos de filmes clássicos de Hollywood e da Europa, referências a outros realizadores, principalmente Jean-Luc Godard, grande homenageado do filme. 

Não sou eu foi lançado no Festival de Cannes de 2024, sendo reverenciado como uma colagem experimental, artística, poética, que reflete sobre o poder das imagens, o cinema e as questões políticas que acompanham o processo de criação. 

“Um humano pisca os olhos entre 15 e 20 vezes por minuto. São 1.200 vezes por hora. E, por dia, 28 mil piscadas. Se não piscassémos, nossos olhos logo ficariam secos. E nós, cegos. Mas as imagens estão ficando cada vez mais rápidas, num fluxo contínuo. Elas não respiram mais, não piscam mais várias vezes por segundo. Elas tentam nos cegar. Sim, nós precisamos piscar os olhos. A beleza do mundo nos impõe isso.” – Leos Carax

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