Four unloved women, adrift on a purposeless sea, experience the ecstasy of dissection

Four unloved women, adrift on a purposeless sea, experience the ecstasy of dissection (Candá, 2023), de David Cronenberg. 

O curta tem pouco mais de quatro minutos intensos e provocativos. A câmera caminha rende a água do mar, vislumbrando corpos femininos deitados ao sol. Sobe pelas pernas bronzeadas até revelar figuras de cera com as barrigas abertas, órgãos expostos, vísceras se confundindo com a beleza das mulheres de David Cronenberg. 

A trilha sonora envolvente acirra ainda mais a sensação mista de erotismo e horror. O diretor canandense faz uma espécie de releitura de seu próprio filme, Crimes do futuro (2023), buscando inspiração nas esculturas renascentistas do século XVIII. A narrativa visual deixa reflexões sobre a exposição de corpos no mundo contemporâneo. Reflexões perigosas. 

Sonhos como barcos de papel

Sonhos como barcos de papel (Des rêves en bateaux papiers, Haïti, 2024), de Samuel Frantz Suffren. 

Edouard  mora em Porto Príncipe, Haiti, com a filha Zara. Ele tem uma barraca de sucos naturais e divide seu tempo entre o trabalho e o cuidado carinhoso da filha. Sua esposa emigrou cinco anos atrás para os Estados Unidos, de forma clandestina. Seu único contato com ela, desde então, é uma fita cassete com a narrativa da perigosa travessia. 

Sonhos como barcos de papel faz parte da trilogia de curtas de Samuel Frantz Suffren, junto com Agwe (2022) e Coeur bleu (2025), inspirados no sonho de seu pai em migrar para os Estados Unidos. A narrativa é uma delicada história de solidão, dedicação, busca dos sonhos e luta para sobreviver em uma sociedade marcada pela desigualdade e pela miséria. 

Elenco: Kenny Laguerre, Saraiva Ruth-Amma Suffren, Cloretti Jacinthe.