O quarto verde

O quarto verde (La chambre verte, França, 1978), de François Truffaut. 

A abertura concilia imagens da primeira guerra mundial com o rosto de Julien Davenne (François Truffaut) sobreposto. Corta para dez anos depois, Julien é um jornalista especializado em escrever obituários para o jornal local. Ele dedica sua vida a não deixar apagar a memória de sua esposa, falecida pouco depois da guerra, em um quarto verde, na casa onde mora. Com o tempo, o jornalista fica mais e mais obcecado por reverenciar os mortos: ele restaura uma velha capela no cemitério e constrói ali um grande altar aos mortos. 

O quarto verde é o terceiro filme protagonizado pelo próprio cineasta. Os outros são O garoto selvagem (1970) e A noite americana (1973). O filme é inspirado em contos de Henry James, principalmente O altar dos mortos

“A fotografia de Néstor Almendros é um espetáculo à parte. Utilizando-se da escuridão e de uma paleta de cores cinza-azul-preta que literalmente nos passa visualmente os sentimentos de Davenne, o diretor de fotografia e Truffaut conseguem enquadramentos antológicos, como a visão de Davenne, deformado, por trás de uma porta de vidro fosco e a fantástica sequência do que apenas posso classificar como um “casamento macabro” na capela/templo do protagonista.” – Ritter Fan (Plano Crítico)

A noiva estava de preto

A noiva estava de preto (La mariée était en noir, França, 1968), de François Truffaut. 

No início do filme, Julie (Jeanne Moreau) tenta pular da janela do edifício onde mora. A tentativa de suícidio é impedida pela mãe da jovem. Pouco depois, Julie deixa sua casa e, por meio de diversos disfarces, começa a eliminar os cinco homens que ela julga serem responsáveis pela morte do marido, na porta da igreja, logo após o casamento. 

O fascínio de Truffaut por Alfred Hitchcock ganha contornos nesta clara homenagem. A noiva estava de preto é um thriller de suspense, com boas doses de bom humor, humor negro, claro, além de manter a irreverência comum à nouvelle-vague francesa. 

O filme foi produzido logo depois da série de entrevistas que Truffaut realizou com Hitchcock, cujo resultado é um dos melhores livros sobre cinema já escritos: Hitchcock Truffaut. Entrevistas. Para completar, o cineasta francês usou como base para o filme o romance A noiva estava de preto, de Cornell Woolrich, mesmo autor de Janela indiscreta, que deu origem a uma das obras-primas de Hitchcock. 

Elenco: Jeanne Moreau (Julie), Claude Rich (Bliss), MIchel Bouquet (Robert), Michael Sonsdale (Clement), Charles Denner (Fergus), Daniel Boulanger (Delvaux).