Delphine

Delphine (Canadá, 2019), de Chloé Robichaud, é narrado por Nicole, já adulta. Ela lembra de suas experiências na infância quando estudou em uma escola particular em Ville Saint-Laurent: “A minha mãe me mandou para lá porque os primos também foram para lá. É reconfortante para pais imigrantes saber que os seus filhos frequentam escolas particulares com os primos. Foi lá que conheci Delphine.”

Delphine é uma criança libanesa que acabara de se mudar para o Canadá. Segundo Nicole, ela ainda não falava francês e dizia “sim” para tudo. As outras crianças da escola praticam bullying com Delphine, dizendo coisas como “você fede a cogumelo”, se divertindo quando ela diz “sim”. 

O curta-metragem é um olhar cruel, sincero e sensível sobre o preconceito, o pesadelo que atitudes de bullying podem transformar a vida de uma criança. A sensibilidade de Nicole a coloca ao lado de Delphine, que se torna cada vez mais introspectiva. As atuações das estrelas infantis Daria Oliel-Sabbag (Delphine) e Ines Feghouli Bozon (Nicole) – que depois vão ser representadas por outras atrizes na adolescência – conferem à narrativa esse olhar doce, compreensível, que se transforma em colaboração mútua entre crianças e adolescentes.

Nathalie Doummar, roteirista, adaptou sua própria peça teatral Delphine de Ville Saint-Laurent. A película estreou no Festival de Cinema de Veneza e ganhou o prêmio de melhor curta-metragem do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Entrou, ainda, para a lista anual dos dez melhores curtas  do Canadá, país que, tradicionalmente, incentiva a produção de filmes neste formato. 

Nanitic

Nanitic (Canadá, 2022), de Carol Nguyen. 

Duas crianças olham para o segundo andar. Elas sobem engatinhando, furtivamente, a escada e, em frente à porta aberta do quarto, olham intrigadas para o interior. Uma mulher de meia-idade está cuidando da avó das crianças. Ela sofre com um câncer terminal. A mulher, após jogar a urina contida em uma bolsa no vaso sanitário, explica às crianças que a bexiga da avó não funciona mais. 

O curta-metragem dirigido pela vietnamita canadense Carol Nguyen é um reflexivo olhar das crianças sobre a finitude. O título é uma referência às formigas operárias que assumem a responsabilidade de cuidar da colônia, pois a morte da rainha significa a morte da colônia.

As duas crianças mantêm em segredo uma colônia de formigas escondidas em um pote. A esperada morte da matriarca da família remete à possibilidade de desestruturação da família.  Nanitic é uma obra curta, densa em reflexões. 

Assista em Filmicca.