Não sou eu

Não sou eu (C’est pas moi, França, 2024), de Leos Carax. 

O Museu Pompidou, em Paris, sugeriu a Leos Carax responder à questão: “Onde você está, Carax?” A ideia do museu era promover uma exposição que acabou não acontecendo. No entanto, Carax aceitou o desafio e realizou um filme composto de fragmentos de imagens.

A auto reflexão de Carax inclui cenas de seus próprios filmes, acompanhadas de questionamentos sobre sua posição como artista, sobre o futuro do cinema e da própria humanidade, sobre o acúmulo irrefreável de imagens que tomam conta de nosso cérebro – seria a morte do cinema? O ensaio visual utiliza ainda fragmentos de filmes clássicos de Hollywood e da Europa, referências a outros realizadores, principalmente Jean-Luc Godard, grande homenageado do filme. 

Não sou eu foi lançado no Festival de Cannes de 2024, sendo reverenciado como uma colagem experimental, artística, poética, que reflete sobre o poder das imagens, o cinema e as questões políticas que acompanham o processo de criação. 

“Um humano pisca os olhos entre 15 e 20 vezes por minuto. São 1.200 vezes por hora. E, por dia, 28 mil piscadas. Se não piscassémos, nossos olhos logo ficariam secos. E nós, cegos. Mas as imagens estão ficando cada vez mais rápidas, num fluxo contínuo. Elas não respiram mais, não piscam mais várias vezes por segundo. Elas tentam nos cegar. Sim, nós precisamos piscar os olhos. A beleza do mundo nos impõe isso.” – Leos Carax

Mundo invisível

Mundo invisível (Brasil, 2012) é um experimento cinematográfico dividido em onze episódios dirigidos por cineastas de vários países. A ideia surgiu de Leon Cakoff, organizador da Mostra Internacional de São Paulo, e Renata de Almeida, diretora da mostra. A proposta apresentada aos diretores foi abordar a invisibilidade social, retratando personagens de São Paulo, onde todos os curtas foram realizados, a exceção de um, realizado na Armênia. 

No final de cada curta, lettering reflete sobre a proposta do realizador: “Enquanto observava os grafites de São Paulo, Theo Angelopoulos se deparou com um pastor especialmente performático. Quase imperceptível aos olhos da multidão, o pregador se contrapõe à melancolia do mundo exterior, colorido e sem redenção.”

Os destaque da obra são os filmes:

Céu inferior. O filme de Theo Angelopoulos abre espaço para o pregador performático que se apresenta no metrô de São Paulo, utilizando técnicas teatrais, desenvolvendo gestos e falas para criar e exagerar o melodrama religioso. 

O ser transparente. Laís Bodanzky reflete sobre o trabalho do ator, com depoimentos de atores, atrizes, uma monja budista e o ator e diretor Yoshi Oida, que escreveu o livro O ator invisível. 

Ver ou não ver. Wim Wenders coloca em cena crianças que têm apenas um resquício da visão e passaram por um processo de ensinamento para aprenderem a ver. O curta acompanha três crianças que foram atendidas pelo pioneiro projeto desenvolvido pela Dra. Sílvia Veitzman, do departamento de oftalmologia da Santa Casa – São Paulo.  

Os demais curtas são:

Do visível ao invisível, Manoel de Oliveira. Tributo ao público de cinema, Jerzy Stuhr. Gato colorido, Guy Maddin. Fábula, Gian Vittorio Baldi. Tekoha, Marco Bechis. Aventuras de um homem invisível, Maria de Medeiros. Kreuko, Beto Brant e Cisco Vasques. Yerevan – O visível, Atom Egoyan

Harry Dean Stanton: em parte ficção

Harry Dean Stanton: em parte ficção (Harry Dean Stanton: partly fiction, Suiça, 2012), de Sophie Huber. 

O diretor Wim Wenders comenta para o documentário que, quando pensou em Harry Dean Stanton (1926 / 2017) para o papel principal de Paris, Texas (1984), se viu diante de um ator que  “esteve nos cinemas por cerca de 30 anos e nunca foi o protagonista”.

O documentário de Sophie Huber se debruça sobre a carreira do enigmático ator e cantor de músicas folk. A narrativa trabalha com colagem de imagens, trechos das centenas de filmes das quais participou, gravações de Harry em sua casa e no bar que frequentou durante toda a vida e, para completar, depoimentos de importantes profissionais do cinema americano: David Lynch, Wim Wenders, Kris Kristofferson, Sam Shepard, Kris Kristofferson, Debbie Harry.

Entre depoimentos e colagens, Harry Dean Stanton interpreta canções que, de certa forma, têm relação com a sua história. Ainda segundo Wim Wenders, o grande mérito de Harry como ator foi interpretar ele mesmo: “Harry se permitiu ser bem vulnerável naquele papel e nos deixou olhar para a sua alma. E Harry é frágil. Harry é vulnerável. As pessoas não estão acostumadas com um protagonista que se abre tanto. Acho que Harry tocou o coração de muita gente, porque ele ousou ser frágil.” 

Perguntado pela diretora do documentário sobre como se preparou para o papel de Travis (Paris, Texas), seu mais aclamado personagem, Harry Dean Stanton respondeu: ““Ele não fala durante cerca de meia hora do filme. Então eu não fiz nada. Eu não me preparei, só não falei. Não dizer nada é um posicionamento impactante. Não falar. Ficar em silêncio. O silêncio é muito poderoso.”

Jane B. por Agnès V.

Jane B. por Agnès V. (França, 1988), de Agnès Varda.

Em 1988, Jane Birkin estrelou o polêmico e ousado filme Kung Fu Master, dirigido por Agnès Varda. As filmagens foram realizadas na casa de Jane Birkin, em Londres. Durante as filmagens, a consagrada modelo, atriz e cantora revelou à Agnes Varda seu medo de completar 40 anos. Diretora e atriz fizeram, então, um projeto paralelo à Kung Fu Master: o documentário, mescla de realidade e ficção, Jane B. por Agnès V.  

A estrutura fragmentada do filme intercala reflexões de Jane Birkin sobre sua carreira e seus relacionamentos amorosos, principalmente com Serge Gainsbourg; pequenos trechos de filmes, imagens de arquivo, incluindo interpretações de famosas canções; participação ativa da diretora com perguntas ousadas. A parte ficção é uma série de esquetes nas quais Jane Birkin interpreta papéis famosos do cinema, como Joana D’Arc, Calamity Jane, Jane (Tarzan) e uma divertida simulação de O gordo e o magro, contracenando com Agnès Varda. 

Agnès Varda sempre usou o termo documenteur para seus projetos, sugerindo a mistura de documentário e ficção, realidade e imaginação. O documentário conta com participações especiais de celebridades em alguns quadros: Jean-Pierre Léaud, Philippe Léotard e Serge Gainsbourg. 

A  participação de Jean-Pierre Léaud, famoso astro da nouvelle-vague francesa, surge após um diálogo divertido: 

Agnès Varda: Com que atores gostaria de contracenar?

Jane Birkin: Com o Marlon Brando.

Agnès Varda: Caro demais! Um ator francês do mesmo gênero e mais barato. 

Jane Birkin: Jean-Pierre Léaud. Ele tem um olhar desesperado que eu gosto muito, parece meio perdido. Eu prefiro as pessoas perdidas. 

Minha contribuição

Minha contribuição (Mi aporte, Cuba, 1969), de Sara Gómez.

O início do documentário segue um tom institucional, com uma citação de Che Guevara: “O proletariado não tem gênero, é a união de todos os homens e mulheres que, em todos os trabalhos do país, lutam conscientemente por um bem comum.” Os créditos são acompanhados por ilustrações de campanhas enaltecendo o trabalho das mulheres e uma música patriótica. 

O estilo jornalístico define a estrutura a seguir. Uma repórter entrevista um grupo de trabalhadoras na usina de açúcar Camilo Cienfuegos. “Aqui nós podemos ver o papel das mulheres na produção, fazendo trabalhos que antes eram realizados apenas por homens e que, através do processo revolucionário, agora foram herdados pelas mulheres.”

O documentário atendeu a uma encomenda da Federação das Mulheres Cubanas (FMC) como forma de destacar a contribuição das mulheres para a colheita da cana-de-açúcar. O financiamento ficou por conta do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica, assim como os outros documentários de Sara Gómez. A relação institucional com os princípios da revolução cubana fica clara, pois são dois institutos com ligações políticas.

No entanto, é um filme de Sara Gómez. A partir da apresentação institucional, a diretora promove uma reflexão sobre as condições de trabalho das mulheres, destacando a necessidade de políticas específicas para que elas possam ocupar os postos conciliando suas prioridades naturais, como a maternidade. O depoimento de um trabalhador masculino deixa claro o conflito de gêneros nas relações de trabalho.

“Aqui nós temos problemas, às vezes, bem sérios. Já que as companheiras não tem experiência em trabalhos pesados, trabalhos que os homens costumam fazer, elas, às vezes, não se comportam como deveriam. Em alguns casos, elas não vêm trabalhar e muitas vezes exploram seus colegas de trabalho infelizes perto delas, que, por causa do paternalismo, fazem seu trabalho e também parte do trabalho das mulheres. Às vezes ela não aguentam o esforço necessário para realizar o trabalho e aí os homens ajudam elas. A questão da falta ao trabalho ocorre por vários motivos. Um dos problemas, pode-se dizer que a maioria deles, estão relacionados com problemas com os filhos em casa, há problemas com gravidez. Desafios relacionados à falta de tempo para realizar as tarefas de casa.”

A fala do operário deixa evidente que, naqueles primeiros anos da revolução, o trabalho das mulheres era incentivado e necessário, mas ainda não existiam legislações específicas para protegê-las, principalmente no tocante à maternidade. O próprio trabalhador completa: “Nós sabemos que num futuro não tão distante esses problemas serão resolvidos com creches, e tal, mas, no momento, esses problemas existem e estamos tendo dificuldades de lidar. 

A partir daí, a câmera de Sara Gómez se dedica a dar voz às mulheres que sofrem com esse tipo de discriminação e falto de apoio governamental. A diretora acompanha o trabalho da comissão formada para supervisionar e buscar soluções para as mulheres que deixam o trabalho. A comissão visita as mulheres para descobrir as causas do “abandono”. 

Uma das trabalhadoras abre a porta e debate com a supervisora as possibilidade para retornar ao trabalho.”Eu disse aos camaradas para verem se podiam colocar meu filho na escola. Desse jeito eu posso ir trabalhar cedo e não chegar atrasada e não ter problemas de falta. Na verdade, eu preciso trabalhar. Preciso alimentar três crianças, imagine só. Mas também quero que elas estejam num lugar onde possam aprender. Como pode ver, até conseguir a escola, não posso trabalhar.” 

Os últimos dez minutos do documentário mostram um grupo de mulheres que estavam assistindo ao filme em uma sala de projeção. “Um relatório sobre um cine-debate” indica a estratégia: analisar e debater os problemas apresentados. As debatedoras, possivelmente, especialistas em questões psicológicas e sociológicas tecem fortes críticas ao trabalho de apoio oferecido até aquele momento. “Escute, eu estava ouvindo a Lucia (supervisora da comissão). Na verdade, está ferindo outras mulheres. Ela não está ajudando de um ponto de vista social. Como posso dizer… e fisicamente. Ela é uma mulher qualificada, ela é intelectual, mas o tempo em que uma mulher intelectual era intelectual e nada mais, acabou. Em vez de ajudar outra mulher que claramente se sente sobrecarregada, a única solução para ela foi: ‘bem, no meu caso, não vou me casar, por causa disso e daquilo.’”

A estrutura definida pela rebelde Sara Gómez para Minha contribuição, passando da apresentação institucional para o conflito, para o debate, a reflexão e a crítica, resultou em problemas com a censura. A Federação das Mulheres Cubanas impediu a circulação do documentário em Cuba e fora do país. 

Ilha do tesouro

Ilha do tesouro (Isla del tesoro, Cuba, 1969), de Sara Gómez.

O Presídio Modelo foi construído na Ilha de Pinos em 1931, durante o regime opressor de Gerardo Machado. Em 1953, após o ataque ao Quartel Moncada, Fidel Castro, seu irmão Raul e outros revolucionários foram encarcerados no presídio. O próprio regime de Fidel Castro usou o presídio como prisão de dissidentes políticos. 

O documentário de Sara Gómez faz uma incursão pela Ilha de Pinos, acompanhando a desativação e remodelação do presídio,  iniciada em 1967. O documentário começa com fotos de arquivo, acompanhas de narração que indicam a ocupação da ilha por piratas, corsário  e bucaneiros durante três séculos, associando a origem da colonização da ilha às velhas lendas de tesouros escondidos. As imagens históricas e cenas de trabalhadores e moradores naquela atualidade são entrecortadas por imagens da “desconstrução” do presídio. Uma grade de cela caindo marca a transição das cenas. 

O olhar poético de Sara Gómez se revela na edição-clipe de trabalhadores e trabalhadoras na agricultura ao som de uma canção. Já o olhar crítico da diretora é simbólico e incisivo: as imagens leves, sensíveis da Ilha de Pinos são cortadas abruptamente para a janela de grades do presídio caindo, símbolo da repressão e violência política que imperou em ambos os regimes.

Eu vou para Santiago

Eu vou para Santiago (Irá a Santiago, Cuba, 1964), de Sara Gómez. 

“Quando a lua cheia chegar / Eu irei a Santiago de Cuba / Eu irei a Santiago / Em um carro de águas negras.” 

O verso de Federico Garcia Lorca é a primeira cena do documentário, escrito à mão com tinta branca em uma parede da cidade. Uma jovem passa em frente à citação e sobe uma escadaria. Entram cenas de moradores caminhando pelas ruas da cidade, ao som de uma canção romântica.  

Narração em off de Sara Gómez: “Sim, dizem que somos de uma ilha onde a terra treme e todos os mulatos têm cheiro de grama fresca. Aqui nos acostumamos com o calor bebendo suco de raiz fermentada. Nas ruas, nós temos um mercado de cor e grito dos vendedores. Do milho, a ferida. Pão, com banana da terra. Nós rimos e falamos em voz alta com agressividade e orgulho. Nossos gestos são exagerados e divertidos.”

As imagens sensíveis de pessoas, casas, pontos históricos, acompanhadas por esse texto poético, traduz o objetivo do documentário da prestigiada cineasta Sara Gómez: compor um hino de amor à cidade. A câmera na mão transitando junto com as pessoas e a música popular cubana marcam esse filme poesia, estilo que se consagrou a partir do novo cinema dos anos 60. 

Eu vou para Santiago é assim, formado pela simplicidade de imagens e frases que instigam a contemplação do espectador: “Na minha ilha, a sesta é um balanço de vime e madeira.” 

Excursão a Vueltabajo

Vueltabajo, localizada no oeste de Cuba, província de Pinar del Rio, é famosa mundialmente por ser a principal fonte do tabaco utilizado na produção dos famosos charutos cubanos de alta qualidade. O documentário Excursão a Vueltabajo (Excursión a Vueltabajo, Cuba, 1965), de Sara Gómez, é composto por fotos de arquivos dos primeiros colonizadores, ilustrações e cenas dos campos agrícolas, das ruas no centro urbano, de trabalhadores cultivando as terras. 

A breve história do desenvolvimento da indústria do tabaco promove também uma reflexão sobre o conflito entre as técnicas rudimentares de agricultura, como o arado, e a maquinização adotada a partir da revolução cubana. “Pensando em todas essas coisas, em Pinar del Rio e no tabaco, cheguei a uma fazenda em Vueltabajo. Eu vi os campos de tabaco, a décima e o guajiro de origem nas Ilhas Canárias. Mas também uma máquina que faz o arado, fertiliza, molha e semeia, enquanto poupa o trabalho de 30 homens.” 

E… nós temos sabor

E… nós temos sabor (Y… nos tenemos sabor, Cuba, 1967), de Sara Gómez.

O filme abre com uma informação em lettering sobre a impossibilidade de mostrar todos os instrumentos cubanos no documentário. “Nós nos limitamos aos de danças populares.” O guia da narrativa é Alberto Zayas, compositor e cantor cubano de rumba, considerado um dos mais importantes músicos deste gênero peculiar da ilha. 

Os depoimentos de Zaya, mostrando e explicando a origem e funcionalidade dos instrumentos musicais, alternam-se com cenas de músicos em diversas manifestações: durante gravações em estúdios, em festas populares nas ruas, apresentando-se em palcos, nos quintais das casa… Narração em off de Sara Gomez também acompanha as imagens: “Os trovadores, acompanhados de violões, a herança espanhola que aparece em toda a nossa música tradicional, utilizam a clave como um elemento rítmico e às vezes como uma dupla de percussão com claves e colheres.”

A importância histórica e cultural do documentário está na estrutura que alterna as sensíveis cenas de músicos, a maioria desconhecidos, em comoventes interpretações, com os depoimentos, quase didáticos, de Alberto Zaya: “As claves, dois pedaços de cabo de vassoura. Mas, dão um sabor delicioso. Essas claves se tornaram muito boas. Elas são usadas desde o século nove. Mas depois vieram as melhores, para o tipo de guaracha que eles usam no oriente. Depois usaram elas para son. Para o son e guaguancó. Mas perceba, todos os instrumentos cubanos, os primitivos, os instrumentos mulatos, todos eles são em pares, fêmea e macho. Duas claves, duas maracas, um par de bongôs…”

Uma ilha para Miguel

Uma ilha para Miguel (Una isla para Miguel, Cuba, 1968), de Sara Gómez

Em determinado momento do documentário, a câmera está fixa, em meio primeiro plano, no rosto de um adolescente: “Nossa escola, Antonio Briones Montoto, é um centro de estudos técnicos onde esperamos conseguir resolver as necessidades de nosso país a respeito de especialistas em cítricos. Devemos formar cerca de 400 camaradas nesta função. Através de treinamento abrangente, nós desenvolvemos um trabalho que consiste no seguinte: coordenar o estudo, o trabalho e a defesa. Nesse caso, nós relacionamos estudos acadêmicos a matérias técnicas e às matérias voltadas para elevar o nível cultural do corpo estudantil. A respeito do trabalho, nosso corpo, ou seja, os estudantes, trabalham quatro horas e meia todo dia, de 7h30 a 11h30 da manhã. Nesse período, eles completam as tarefas relacionadas aos estudos.”  

O depoimento segue um tom formal de um jovem representante do partido e dos ideais da revolução. As imagens que acompanham este e outros depoimentos refletem a sensibilidade desta proposta, mostrando grupos de jovens, estudantes, trabalhadores, em seus afazeres cotidianos, sempre com leveza e alegria. 

O contraste é Miguel, jovem que foi enviado para a Ilha dos Pinos, onde o programa de educação e formação técnica se desenvolve. Ele é um menino rebelde, na infância provocou problemas para sua família formada por nove irmãos e passou por atritos violentos com seu pai. Logo nos primeiros dias na ilha, Miguel comparece ao comitê devido a um gesto rebelde, é julgado e punido. 

Uma ilha para Miguel faz parte da trilogia de documentários de Sara Gomes sobre a Ilha dos Pinos. Os outros filmes são Na outra ilha (1968) e A ilha do tesouro (1969). A abordagem são as tentativas de programas comunitários, implantados pelo regime de Fidel Castro, com intenção de formar trabalhadores com bagagem técnica e cultural. O final de Uma ilha para Miguel deixa em aberto o futuro desses jovens. As últimas imagens mostram Miguel olhando de forma inexpressiva para a câmera. Corta para claquete batida em frente ao rosto de seu amigo que diz: “Miguel, sendo meu amigo e um homem, eu sei que ele vai se comportar bem.”