Mimetismo

A trama se passa em uma grande casa de campo, durante um congresso universitário de apresentação de artigos científicos. O jovem professor Jakub é o responsável pela organização do evento, tendo que prestar contas sempre a Jaroslaw, seu antigo professor. 

Os longos embates entre os dois professores, de posições intelectuais conflitantes, dominam a narrativa. Outro conflito acontece entre um grupo de alunos, insatisfeitos com os rumos das apresentações, e os organizadores. 

O diretor Krzysztof Zanussi retrata neste pequeno microcosmo burguês intelectual a situação da Polônia durante o regime comunista, marcada por conflitos de classes, por embates entre os velhos representantes do partido e os jovens ansiosos por mudanças. É o eterno conflito de gerações, radicalizado em uma sociedade que insiste em preservar os valores sociais, políticos e culturais do regime dominante. 

Mimetismo (Barway ochronne, Polônia, 1977), de Krzysztof Zanussi. Com Piotr Garlicki (Jaroslaw Kruszyński), Zbigniew Zapasiewicz (Jakub Szelestowski), Christine Paul (Nelly). 

Memória

A escocesa Jessica Holland está na Colômbia, em visita a irmã, acamada em um hospital. Orquidófila, ela tem uma profunda relação com a natureza, contemplativa, silenciosa, quase como uma integrante nata desse meio. Certa noite, ela acorda com um barulho estranho e desconhecido, vindo da selva. Jessica passa a ouvir o barulho em alguns momentos do dia, perde o sono e fica cada vez mais obcecada em descobrir a origem daquele som que parece penetrar em todos os seus sentidos. 

O belo filme de Apichatpong Weerasethakul, primeiro realizado fora da Tailândia, exige do espectador acompanhar a protagonista nestes longos silêncios contemplativos. Longas imagens estáticas compõem esteticamente a narrativa, os diálogos são curtos, quase monossilábicos, seguidos de longos silêncios. 

Durante sua jornada, Jessica cruza com pessoas também envoltas nas questões do sentido, como o técnico de um estúdio que a ajuda a reproduzir mecanicamente o som. O encontro entre Jessica e Hernán, que domina a longa parte final do filme, é pleno de sentidos, porém misterioso, envolto nestas questões incompreensíveis da memória. 

Memória (Colômbia, 2021), de Apichatpong Weerasethakul. Com Tilda Swinton (Jessica Holland), Agnes Brecke (Karen), Daniel Giménez Cacho (Juan), Juan Pablo Urrego (Hernán Bedoya), Elkin Diaz (Hernán Bedoya).